segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Especial Salsa


Correspondente do Jornal Falando de Dança cobre o evento Salão Nordeste

Duda Vilanova, professor em Feira de Santana, Bahia, compareceu ao evento (realizado entre 31/07 e 03/08), como nosso correspondente, e confirmou o alto nível das aulas, conforme já havíamos previsto em matéria na edição de julho do jornal. Veja a seguir o relato de Duda.

O salão Nordeste foi, indubitavelmente, um grande marco na produção de eventos de dança no Nordeste: Professores internacionalmente reconhecidos, participantes de vários lugares do país (e não apenas do Nordeste), bailes muito bem estruturados, apresentações de altíssimo nível (daqueles que muita gente só vê no youtube) e, paralelamente, a etapa nordestina do maior campeonato de Salsa do mundo. Foi, de longe e com muita folga, o melhor evento de Danças de Salão realizado no Nordeste. Bom... que foi um sucesso, é fato; o que não significa, evidentemente, que não houve falhas. Falhas diminutas frente grande realização, mas, ainda assim, falhas.

Atrações
A palestra de abertura causou um bom frisson, principalmente entre os professores. A mesa foi composta por Rita de Cássia Jordão de Almeida, coordenadora do curso superior de Dança de Salão e Coreografia da Universidade Estácio de Sá; Douglas Mohmari, dançarino, coreógrafo e co-fundador da Conexión Caribe, além de comentador do ESPN só World Salsa Open e juiz do Salsa Open Brasil. Para mediar, Demetrius Gonçalves, professor, coreógrafo e pesquisador em dança. Dentre os muitos assuntos em voga, a profissionalização e a formação do professor de dança, bem como o organizado sistema CONFEF/CREF, foram os que mais reverberaram corredores afora, depois da palestra.
A primeira grande eiva do evento não chegou a configurar um erro da organização. Pelo contrário, acresceu-lhe mérito. Trata-se de Orville, sumidade canadense da Salsa e que protagonizou todo o marketing e propaganda do Salão Nordeste, desde o Site, passando pelos cartazes e mesmo nos selos eletrônicos pela internet. O que o Orville fez? Eis o problema... ele não fez: 15 dias antes da realização do SN, com suas passagens já compradas, ele decidiu não mais fazer parte do quadro docente do SN. Como os participantes salseiros do congresso com certeza seriam maioria esmagadora, a falta de Orville tinha tudo pra transformar o evento num enorme fiasco.
Para transformar o que seria fracasso em vitória, a organização do evento, de maneira muito eficaz, aplicou uma regrinha simples da prestação de serviços quando é necessário agradar aos clientes: na falta de um produto ou serviço, ofereça outro de qualidade superior pelo mesmo preço do demandado.
No ambiente Salseiro, o nome Abakua, companhia do mitificado Frank Martinez causa uma certa sensação de euforia. Em substituição ao furão, os organizadores fizeram uma boa proposta a Jimmy Ruiz e Keren Ashri, de Nova Iorque, que prontamente aceitaram o convite. Estava resolvido: ninguém lembraria do careca do cartaz. Ver o Jimmy e a Keren dançando de pertinho causa um êxtase raro.
Creio que para garantir uma overdose de Salsa pra compensar a negligência de Orville, eles também contataram o grupo de dança Los Timballeros, de Córdoba, representados por Fabian e Laura Gaetan. Simplesmente magníficos.
Diego Smud, argentino diretor geral da Competição Sul Americana de Salsa e membro do staff organizador do Congresso Mundial de Salsa em São Paulo, também foi uma atração internacional muito esperada.
Muitos que costumam ler o que escrevo sabem do meu irremediável vício pelo tango. Fiquei bem triste ao saber que não faria aulas com Ezequiel Merlo, pelo fato do mesmo ter passado por uma intervenção cirúrgica de urgência poucos dias antes do SN. O cearense Tonny Palhano, ao lado da professora Laura Santiago, de Rosário, Argentina (bailarina profissional e parceira de Ezequiel) não nos deixou sentir muito a sua falta. Suas oficinas de Tango intermediário e avançado foram duas das mais cheias e comentadas do evento. E com razão, pois foram aulas muito boas.

As oficinas
Dentre os outros muitos orientadores, destaquei alguns que fizeram com que o SN se tornasse, na minha opinião, um evento singular.
Gustavo Regalado e Polyana (PE) foram os responsáveis pela oficina de tango iniciante. Como eu já esperava, fizeram um trabalho extraordinário. A didática desses dois é algo a ser imitado pelos professores de qualquer ritmo (sem falar que grávida dançando é coisa mais cativante do mundo).
Alex Amorim e Islânia Lopes (CE) trouxeram um soltinho diferente. Nitidamente influenciados pelo jive, eles propõem um novo entendimento corporal do estilo. Amei a aula deles... já estava mesmo na hora de alguém tentar transformar o soltinho em uma dança de verdade, ao invés de um arremedo distante e mal-elaborado do rock. Tomara que eles tenham sucesso na captação de adeptos.
Apesar de zouk não ser um dos meus ritmos favoritos, ver o Demétrius e a Aneska (PE) dançando é uma experiência muito agradável. Poucos casais demonstram tanta cumplicidade dançando. No SN eu não cheguei a fazer as aulas deles, mas lembro-me que em outro evento, sua aula foi muito boa. No palco, eles deram um show de zouk.
Alexei Ramos (BA/CE) ministrou uma das oficinas mais procuradas e, como sempre, uma das mais elogiadas pelos participantes. Esse baiano que hoje mora em Fortaleza, onde mantém a Obará Danças, não pára de evoluir. Sua aula de shines foi excelente.
Érico e Rachel, do Centro Cultural Conexão, RJ, brindaram-nos com a mais bela apresentação de tangos do SN. De todas as que já vi ao vivo, arrisco-me a dizer que foi a melhor. Fiquei sabendo que a aula de musicalidade deles também foi super elogiada. Conexão é, sem dúvida, um nome a ser lembrado por qualquer organizador sensato de eventos de dança de salão.
Por fim, falarei da aula do SN que mais gostei de fazer. Éder Soares (CE), vice-campeão brasileiro de Salsa em 2007, fugiu totalmente aos padrões usuais de aula em qualquer workshop e congresso. Ao invés de fixar como centro do conteúdo uma sequência de movimentos a ser imitada pelos participantes, ele voltou a sua aula de rumba ao sentimento que se deve ter ao dançar esse ritmo. Demonstrando uma pesquisa madura de movimentos e um invejável talento para ensinar, Éder explicou as diferenças entre os vários tipos de rumba e concentrou a aula no Guaganco. Impecável.

Locais e Locomoções
Talvez a única falha grotesca dos organizadores do SN. O Hotel oficial do evento (onde ocorreu a palestra de abertura), o barzinho Cuba do Capibaribe (onde ocorreu o baile de abertura do evento, bem como o último baile), e a AABB (onde ocorreram todas as aulas, o Salsa Open e os outros dois bailes) ficavam muito distantes entre si. Para solucionar o problema, a organização disponibilizou dois micro ônibus que fariam todos os percursos nos horários pré-definidos. O grande problema é que o ônibus não estava incluso no "pacote completo" de pagamento, nós deveríamos pagar para chegar aos locais do evento. Pois é... além de desembolsar uma média de R$12,00 a mais por dia para poder frequentar as aulas que já tínhamos pago, os horários pré-definidos dos ônibus se mostraram totalmente indefinidos. Essa foi uma verdadeira "pisada no tomate". Se teve um motivo pelo qual eu me arrependeria de ter ido ao SN, seria esse. Ninguém gosta de se sentir lesado.

Bailes
Nem tem muito o que falar dos bailes. Foram muito bons e pronto. Não provilegiaram nenhum ritmo em específico, tocaram muitas músicas novíssimas no mercado e bem diversificadas em estilo. O paraibano de João Pessoa, Evandro, foi o DJ mais elogiado. Salão sempre cheio, músicas muito bem escolhidas e um feeling perfeito do público. Everaldo, um dos organizadores do evento, também fez um ótimo trabalho como DJ. O mesmo não se pode dizer do outro DJ (que vou preservar o nome), que, em dado momento, largou a mesa de som, deixando o seu I-Pod no comando de um salão minguante. Para completar, o cabra vem pro Nordeste tocar forrozinho meia-boca... Totalmente sem noção. Foi um terceiro DJ totalmente dispensável...

Salsa Open
Consegui tirar uma única foto antes de ameaçarem tomar minha câmera. Vigilância redobrada contra as filmagens clandestinas, palco bem iluminado, e uma sensação meio amarga de "todo mundo já sabe quem vai ganhar".
Primeiro, é preciso dizer algumas coisas sobre o Salsa Open. As etapas preliminares, que acontecem pelo Brasil inteiro, podem ser disputadas por qualquer casal, independente da residência do mesmo. Em geral, o prêmio para o casal vencedor é a passagem e estadia por conta da organização no Brasil Salsa Open, que ocorre em São Paulo.
No primeiro baile do SN, contemplamos o casal paulista André e Vanessa dançando. Não tínhamos conhecimento de que nenhum dos competidores estivessem naquele nível. O vice-campeão brasileiro, Èder Soares, não iria competir; e outro que poderia fazer frente era o Jobson (que perdeu a preliminar pro Éder em 2007), mas ele estava acidentado. Logo, se o casal paulista resolvesse competir, todo mundo já estava ciente de quem iria ganhar.
Mas por que, diabos, um casal que mora em São Paulo participaria de um evento cuja premiação é passagem e estada em sua própria cidade? Aí é que entra a questão burocrática do Salsa Open: qualquer casal brasileiro pode participar de qualquer preliminar que ocorra no Brasil, independentemente de sua residência. O casal que compete, não importando a colocação, ganha automaticamente o direito de participar da repescagem da etapa brasileira; e o casal VENCEDOR de cada preliminar entra automaticamente nas semi-finais. André e Vanessa vieram disputar no Nordeste fugindo do fantasma da repescagem.
Na premiação, surpresa, o casal vencedor, com a anuência da organização do evento, repassou as passagens e a hospedagem para os segundos colocados, Michael e Ruanda, que vão disputar a repescagem com tudo pago.

Concluindo
Próximos eventos de dança no Nordeste devem seguir o exemplo geral do Salão Nordeste. Foi um salto incrível

0 comentários:

About Us | Site Map | Privacy Policy | Contact Us | Blog Design | 2007 Company Name